TRABALHO DE LÍNGUA PORTUGUESA
INTRODUÇÃO
A expressão "registos linguísticos" designa os diversos estilos que um falante pode (ou deve) usar deacordo com a situação comunicativa em que participa. Para além disto, as intenções e os objetivos de cada indivíduo na situação de comunicação e o seu nível social e/ou cultural condicionam o nível de língua utilizado.Os níveis de língua são variedades de realizações da língua e dependem, assim, quer do nívelcultural, do meio social ou da situação em que se encontra o emissor e do recetor a quem se dirige, quer dos estados de evolução da língua através dos tempos.
A VARIAÇÃO LINGUÍSTICA
A variação linguística é um fenômeno muito interessante que
comprova a organicidade da língua. Ao longo da história, a língua portuguesa
sofreu diversas transformações até chegar à língua que conhecemos e tão bem
falamos nos dias de hoje. Certamente ela continuará evoluindo, posto que é um
elemento mutável e propriedade de seus falantes, que a utilizam de diferentes
maneiras para alcançar um fim maior: a comunicação.
É interessante observar que na língua portuguesa existem
diferentes registros, variações diafásicas que resultam da adequação de seu uso
nas diferentes situações comunicacionais, fenômeno que possibilita que um mesmo
falante adote diferentes registros em um mesmo dia. Alguns fatores serão
determinantes para a escolha do registro a ser empregado, entre eles o grau de
familiaridade que temos como nossos interlocutores.
Você já observou, por
exemplo, que a linguagem por você utilizada com seus amigos é diferente da
linguagem que você adota em situações formais? Isso acontece porque somos
falantes hábeis, capazes de transitar confortavelmente entre a linguagem
culta e a linguagem coloquial e
de perceber a pertinência de cada uma delas de acordo com o contexto da
comunicação. É importante observar que a mudança de registro não se verifica
apenas no léxico: ela também ocorre nas construções sintáticas e até mesmo na
pronúncia das palavras. Que tal conhecer alguns desses registros e as
diferenças existentes entre eles.
OS DIFERENTES REGISTROS DA LÍNGUA
PORTUGUESA
Registro
popular: Esse registro costuma ser associado a grupos
socioculturais menos letrados, ou seja, aqueles que foram menos expostos à norma
culta da língua portuguesa. É mais comumente encontrado na fala, mas pode ser
reproduzido na literatura com a finalidade de caracterizar personagens. É
importante ressaltar que esse tipo de variação diafásica não deve ser
condenado, bem como é um erro classificar como ignorantes as pessoas que dele
fazem maior uso, o que corroboraria com a ideia do preconceito linguístico, tão
combatido pela Sociolinguística;
Registro
familiar: Corresponde ao tipo de discurso adotado nas situações
de informalidade, aqueles momentos em que estamos entre nossos familiares e/ou
amigos. No registro familiar, costumamos empregar um vocabulário simples, além
de construções sintáticas menos complexas, elementos que dinamizam a
comunicação e simplificam a pronúncia e até mesmo a escrita da língua
portuguesa (linguagem encontrada nos e-mails pessoais, bilhetes, SMS, nas
postagens das redes sociais etc.);
Registro
corrente: Esse tipo de registro é muito empregado no cotidiano,
sobretudo nas situações em que precisamos nos comunicar com alguém que não
conhecemos bem. Nele são encontradas palavras, expressões e construções
gramaticais simples e formas verbais de substituição, como vou te
pedir em vez de pedir-te-ei (encontrado na
norma-padrão), características que configuram uma linguagem que prioriza a
comunicação, e não o embelezamento da língua;
Registro
cuidado: Tipo de discurso adotado em situações formais ou
solenes, quando a intenção do enunciador é impressionar seus interlocutores por
meio do cuidado com a linguagem. O registro cuidado costuma ser empregado nos
discursos políticos, conferências científicas, entre outros, e preza pela
erudição vocabular, pela correta aplicação dos tempos e modos verbais e por uma
construção sintática complexa, fatores que evidenciam um preparo anterior do
texto;
Registro
literário: Linguagem empregada, sobretudo, na literatura, quando
escritores apropriam-se de elementos de expressividade com a finalidade de
surpreender os leitores. Nesse tipo de registro é muito comum encontrar
metáforas, termos raros, neologismos, palavras com cargas semânticas e
sintáticas diferentes das convencionais etc. Para melhor compreender o registro
literário, é preciso que o interlocutor ou leitor disponha de uma boa
capacidade de interpretação textual, caso contrário, a comunicação ficará
prejudicada.
NÍVEIS DE LINGUAGEM
Formal ou culto
O nível de linguagem formal é aquele
aprendido na escola e que usamos normalmente quando falamos em uma situação que
exige o uso correto da palavra. Nessa situação, costuma-se falar muito parecido
ao jeito que se escreve.
A gramática brasileira está diretamente ligada ao
estilo formal e podemos dizer que é lá que está assegurada a unidade da língua
nacional.
Exemplos:
·
“Estou preocupado”.
·
“Aquela senhora está muito enfeitada”.
·
“Aconteceu uma confusão na escola e as coisas
terminaram em briga’”.
·
“Aquela mulher é muito vulgar”.
Informal ou coloquial
Em conversas
mais descontraídas, é possível utilizar esse nível de linguagem. Não se trata
de falar errado e atropelar o português. Nesse caso, apenas não se faz as
exigências da primeira forma aqui explanada.
Exemplos:
·
“Tô preocupado”.
·
“Aquela senhora tá muito enfeitada”.
·
“Aconteceu um rebu na escola e o pau quebrou”.
·
“Aquela ali é uma perua”.
Técnica ou
científica
As pessoas que exercem a mesma profissão
costumam usar um tipo de linguagem diferenciada. Nomes ou expressões
específicas são normalmente ouvidas nessa ambientes.
De acordo com as situações da comunicação, sãovárias as designações:
A língua cuidada recorre à expressão bemelaborada; tem perfeição estrutural e precisãovocabular.
A língua cuidada recorre à expressão bemelaborada; tem perfeição estrutural e precisãovocabular.
A língua corrente (média ou normal) usa termos e estruturas correntes de acordo com a norma, com o padrão.
A língua familiar usada nas relações do quotidiano,entre familiares ou amigos; com vocabulário poucorigoroso.
A língua popular revela despreocupação nasconstruções sintáticas e correção do vocabulário; é marcadamente oral e espontânea. Pode surgir como:regionalismo (falares característicos de certasregiões do País), gíria (expressões ou falarescaracterísticos de certos grupos profissionais e sociais) ou calão (expressões ou formas marginais,que resultam de situações particulares).
Se também em língua literária , mas esta não é considerada um nível de língua. Resulta de umapreocupação artística e não se orienta para a comunicação prática. Recorre muitas vezes aosdiversos níveis de língua, embora seja frequente fixar-se na língua cuidada.
Segundo alguns autores, devemos ainda considerar a existência de:
língua técnica e científica que compreende termostécnicos e/ou científicos;
língua mista (crioulo) que é uma mistura de línguasde comunidades diferentes. Usada com frequênciaquando certos povos impuseram a sua língua queacabou por se misturar com as línguas nativas.
língua técnica e científica que compreende termostécnicos e/ou científicos;
língua mista (crioulo) que é uma mistura de línguasde comunidades diferentes. Usada com frequênciaquando certos povos impuseram a sua língua queacabou por se misturar com as línguas nativas.
Funções da linguagem
Empregamos a linguagem com diferentes
objetivos. Podemos querer comunicar algo sobre a realidade, podemos querer
saber se há canal ou conexão psicológica para que a transmissão de informação
possa acontecer. Ou seja, usamos a linguagem com diferentes funções.
As funções da linguagem são seis:
Função referencial ou denotativa:
transmite uma informação objetiva, expõe dados da realidade de modo objetivo,
não faz comentários, nem avaliação. Geralmente, o texto apresenta-se na
terceira pessoa do singular ou plural, pois transmite impessoalidade. A
linguagem é denotativa, ou seja, não há possibilidades de outra interpretação
além da que está exposta.
Em alguns textos é mais predominante essa função, como:
científicos, jornalísticos, técnicos, didáticos ou em correspondências
comerciais.
Por exemplo:
“Bancos terão novas regras para acesso de deficientes”. O Popular, 16 out.
2008.
Função emotiva ou expressiva: o objetivo do emissor é transmitir suas emoções
e anseios. A realidade é transmitida sob o ponto de vista do emissor, a
mensagem é subjetiva e centrada no emitente e, portanto, apresenta-se na
primeira pessoa. A pontuação (ponto de exclamação, interrogação e reticências)
é uma característica da função emotiva, pois transmite a subjetividade da
mensagem e reforça a entonação emotiva. Essa função é comum em poemas ou
narrativas de teor dramático ou romântico.
Por exemplo: “Porém meus olhos não perguntam nada./ O homem atrás
do bigode é sério, simples e forte./Quase não conversa./Tem poucos, raros
amigos/o homem atrás dos óculos e do bigode.” (Poema de sete faces, Carlos
Drummond de Andrade)
Função conativa ou apelativa: O objetivo é de influenciar, convencer o receptor de
alguma coisa por meio de uma ordem (uso de vocativos), sugestão, convite ou
apelo (daí o nome da função). Os verbos costumam estar no imperativo (Compre!
Faça!) ou conjugados na 2ª ou 3ª pessoa (Você não pode perder! Ele vai melhorar
seu desempenho!). Esse tipo de função é muito comum em textos publicitários, em
discursos políticos ou de autoridade.
Por exemplo: Não perca a chance de ir ao cinema pagando menos!
Função metalinguística: Essa função refere-se à metalinguagem, que é quando o emissor explica um código usando o próprio código. Quando um poema fala da própria ação de se fazer um poema, por exemplo. Veja:
Função metalinguística: Essa função refere-se à metalinguagem, que é quando o emissor explica um código usando o próprio código. Quando um poema fala da própria ação de se fazer um poema, por exemplo. Veja:
“Pegue um jornal Pegue a tesoura
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema. Recorte
o artigo.” Este trecho da poesia, intitulada “Para fazer um poema dadaísta”
utiliza o código (poema) para explicar o próprio ato de fazer um poema.
Função fática: O objetivo dessa função é estabelecer uma relação
com o emissor, um contato para verificar se a mensagem está sendo transmitida
ou para dilatar a conversa. Quando estamos em um diálogo, por exemplo, e
dizemos ao nosso receptor “Está entendendo?”, estamos utilizando este tipo de
função ou quando atendemos o celular e dizemos “Oi” ou “Alô”.
Função poética: O objetivo do emissor é expressar seus sentimentos
através de textos que podem ser enfatizados por meio das formas das palavras,
da sonoridade, do ritmo, além de elaborar novas possibilidades de combinações
dos signos linguísticos. É presente em textos literários, publicitários e em
letras de música.
Por exemplo: negócio/ego/ócio/cio/0
Na poesia acima “Epitáfio para um
banqueiro”, José de Paulo Paes faz uma combinação de palavras que passa a ideia
do dia a dia de um banqueiro, de acordo com o poeta.
CONCLUSÃO
Chegamos a conclusão que dependendo
da situação comunicativa, os usuários das línguas
podem eleger qualquer um dos diferentes registos de linguagem para
interagir verbalmente com os outros. Isso significa que existem linguagens
diferentes para
ocasiões distintas, ou seja, em toda situação comunicativa, os
falantes elegem o nível de linguagem mais
adequado para que tanto o emissor quanto o receptor das mensagens possam compreender
e ser compreendidos.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Https://www.infopedia.pt/$registos-de-lingua
Linguamodadoisec.blogspot.com/2010/12/registos-ou-niveis-de-lingua.
ÍNDICE
Introdução ……………………………………………………………...………………. 4
A variação linguística ……………………………………………….…………………. 6
Registro popular ………………………………………………………………..……… 7
Registro familiar ………………………………………………………………….……. 7
Registro corrente …………………………………………………………………….…. 7
Registro cuidado ……………………………………………………………………….. 7
Registro literário ………………………………………………………………..……… 7
Níveis de
linguagem …………………………………………………..……………..… 8
Os diferentes
registros da língua portuguesa ……………………………...…………… 8
Funções da linguagem ………………...……………………………………………… 10
Conclusão ………………………………………………………………...…..………. 12
Referencia Bibliográfica ………………………………………...……………………. 13
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