A cultura é um conjunto de manifestações
humanas que contrastam com a natureza ou comportamento natural
A convivência dos angolanos com a cultura luso
europeia deu lugar a um extrato social, culturalmente europeizado, a mercê da
constituição colonial do estado de assimilação. Os assimilados eram os
africanos que para conquistar o direito a cidadania e suas mordomias,
nomeadamente os acessos a cargos públicos auxiliares, nunca de soberania, eram
obrigados a abandonar usos e costumes de pais e avós.
A cultura Angolana é africana e sobre
tudo Angolana que por isso sempre consideramos ultrajante a maneira como o povo
foi tratado por intelectuais portugueses. Desenvolver a cultura não significa
submetê-la as outras.
Temos por isso admitir, que as aculturações
resultantes do contacto cultural com os demais povos não devem resultar de
perda de personalidade do Angolano no contexto de seus valores antropológicos,
materiais e culturais.
O homem como ser
social
A cultura é uma propriedade só do homem,
pelo homem e para o homem, porque é ela que faz dela um ser especificamente
humano, racial, estético, critica e eticamente empenhado; é ela que faz dele um
ser cultural, categoria que harmoniza e integra os dois extremos (naturalismo e
historicismo), que do longo da história se foram repetidos mutuamente.
Eis importância da cultura na vida do
homem, és porque não é qualquer coisa de banal, secundário ou dispensável. A
cultura, tal como bem salienta Mondin, «não é um vestido que se possa pôr ou
tirar ao bel-prazer, não é qualquer coisa acidental ou secundária, mas é algo
próprio do homem: essa faz parte da natureza humana, é um elemento constituído
da sua essência. Sem a cultura não é possível nem a pessoa singular nem o grupo
social».
Características
Principais da Cultura
É dado certo que cada cultura tem
expressões peculiares que a distingue das demais, pois ela não é um uniforme
que todas devem receber e vestir indiscriminadamente. Toda via, isto não nos
impede considerar que independentemente da fisionomia particular assumida, cada
cultura abarque procedimento ou revestimentos comuns as outras que a seguir
vamos individuar
A cultura é um
fenómeno humano social
A cultura não é obra nem de Deus nem da
natureza e muito menos do acaso, ele é claramente obra do homem é um fruto seu
génio, da sua fantasia e criatividade, da sua inteligência e vontade. A cultura
portanto, é tudo aquilo que o homem cria graças as faculdades privilegiadas que
possui. É quanto vimos e precisamos nos desenvolvimentos precedentes. De facto,
como os salientes Mondin «entre a cultura e o homem por nexo é tão profundo que
não só a cultura se define como obra do homem, mas também vale a contrário: o
homem define-se através da cultura; o homem é, por definição animal cultural,
porque é o único animal capaz de cultura» dai a sua centralidade e dignidade na
ordem dos seres criados que os autores do renascimento exaltaram com muito brio
e orgulho.
Esse facto faz-nos cair na conta de que
a cultura não é o acontecimento espontâneo, distintivo, inato ou automático,
ela requer uma aprendizagem, uma educação e, por conseguinte, exige, quer do
individuo singular, que da sociedade, um esforço árduo, sacrifício e um empenho
constante.
O costume e a
Cultura
É um facto evidente que cada povo, por
mais primitivo que seja, possui sempre um leque de regras de convivência social
(Normas sociais) que formam e educam o agir das pessoas e regem relações entre
si, garantindo desta feita o respeito, a fraternidade, a unidade, a solidariedade
etc.
São os hábitos modelos que o grupo vai
assumindo, melhorando e transmitindo ao longo dos anos e de geração em geração
como fazendo parte de um estilo de vida típico que devem empenhar todos na
observância e no respeito. Esses hábitos-modelos são geralmente denominados
costumes que podem abranger tudo: «a comida, o vestuário, a educação das
crianças, a tensão pelos anciãos, os modelos de comportamento a organização
social, politica e económica etc.» tornando-se desse modo, um elemento importante
e central de socialização.

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