A Família dentro da Sociedade (Angoscola)



Neste trabalho irei abordar acerca da Família dentro da Sociedade, sendo que a família é o conjunto de pessoas que possuem grau de parentesco entre si e vivem na mesma casa formando um lar. A família é considerada uma instituição responsável por promover a educação dos filhos e influenciar o comportamento dos mesmos no meio social. O papel da família no desenvolvimento de cada indivíduo é de fundamental importância. É no seio familiar que são transmitidos os valores morais e sociais que servirão de base para o processo de socialização da criança, bem como as tradições e os costumes perpetuados através de gerações.

O ambiente familiar é um local onde deve existir harmonia, afectos, protecção e todo o tipo de apoio necessário na resolução de conflitos ou problemas de algum dos membros. As relações de confiança, segurança, conforto e bem-estar proporcionam a unidade familiar.






DESENVOLVIMENTO


Uma família constituída a luz de princípios morais sólidos fará de seus membros cidadãos de primeira categoria, ao passo que uma família destituída desses princípios legará aos seus integrantes vícios de toda natureza

Portanto, somente através de uma educação familiar, proporcionada pelo Estado, por meios de projectos de educação, seja por educadores presenciais, seja por aulas televisionadas é o meio de prevenir que as futuras gerações tenham um ambiente familiar mais saudável e consequentemente uma sociedade menos violenta, mais participativa, a fim de conduzir, através das famílias, a alcançar um de seus objectivos fundamentais, qual seja, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária.


            A família como qualquer outro grupo presente em nossa sociedade, estará sempre em processo de transformação para se adaptar as mudanças que vão ocorrendo na sociedade. Conforme a sociedade se modifica ao longo do tempo, a família vai perdendo características e ganhando outras, mudando assim seu padrão para se adequar a cada época.

            De acordo BOCK, FURTADO e TEIXEIRA, (2002) a família está introduzida na base material da sociedade. Então as condições históricas e as mudanças sociais determinam a maneira como a família irá se organizar para cumprir seu papel social

            Bock, Furtado e Teixeira (2002) salientam que a família é uma instituição importante para a sociedade, porque ela é responsável pela sobrevivência física e psíquica das crianças. Os autores ressaltam que a família é tão necessária que na sua falta a criança ou adolescente precisam de uma “família substituta” ou devem ser amparada em uma instituição que desempenhe os papeis materno e paterno, ou seja, que cumpra a função de zelar e de transmitir os valores e as normas culturais.

            A família é o primeiro ambiente de convivência da criança, é o lugar onde ela viverá as suas primeiras experiências, experiências essas que ela carregará pelo resto de sua vida e que influenciarão directamente no seu desenvolvimento emocional.

            Bock, Furtado e Teixeira (2002) destacam a importância da família na vida das crianças, comparando a primeira educação com o alicerce da construção de uma casa. Segundo esses autores, a família é à base da criança, no decorrer da sua vida, surgirão novas experiências que continuarão a construir esse individuo, mas é a família que é o alicerce que sustenta/ampara o individuo.

            Entre todos os grupos humanos, a família desempenha um papel primordial na transmissão de cultura. Se as tradições espirituais, a manutenção dos ritos e dos costumes, a conservação das técnicas e do patrimônio são disputados por outros grupos sociais, a família prevalece na primeira educação, na repressão dos instintos, na aquisição da língua acertadamente chamada de materna. (apud BOCK, FURTADO e TEXEIRA, 2002, p. 250).

            A família tem uma grande autoridade moral sobre a criança, e na família que a criança terá o primeiro modelo de conduta e são nos pais que eles se espelham, são as primeiras experiências vividas pelo indivíduo na família que influenciara positivamente ou negativamente na construção da sua conduta.




A FUNÇÃO SOCIAL DA FAMÍLIA.

Partindo de um conceito mais aberto, abrangente e inclusivo a família passou a adquirir uma função social, “permitindo a plena realização moral e material de seus membros, em prol de toda a sociedade”. O atendimento a esta função social passou, então, a definir se essa instituição merece ou não tutela do Estado, na medida em que contribui para que as exigências sociais possam ser atendidas.

A sociedade ao sofrer mudanças em sua estrutura, em sua base social, política ou econômica, opera gradualmente no indivíduo modificações em sua forma de valorar conceitos, passando a questioná-los como eficazes na solução dos mais diversos problemas que as mutações sociais desencadeiam.

O professor Fábio Konder Comparato entende que as transformações do indivíduo é algo característico do ser humano:

“a essência do ser humano é evolutiva, porque a personalidade de cada indivíduo, isto é, o seu ser próprio, é sempre, na duração de sua vida, algo de incompleto e inacabado, uma realidade em contínua transformação. Toda pessoa é um sujeito em processo de viraser”.

Da mesma forma, a família também absorve as mudanças sociais e modificações nas mentalidades, o que reflete, de forma basilar, no papel que passa a desempenhar e na sua conseqüente visão perante a sociedade, esta que, é evidenciada por diversos estilos de vida, opiniões e padrões comportamentais.

Nesta perspectiva, a função social da família vem para demonstrar que esta não se apresenta mais à sociedade como um fim em si mesma, mas como um lugar propício ao desenvolvimento de sentimentos mútuos entre os seus membros, qualificadores de suas personalidades.

Portanto, cada entidade familiar deve ser protegida “na medida em que seja capaz de proporcionar um lugar privilegiado para a boa vivência e dignificação de seus membros”.13
Se todos são igualmente dignos, tal dignidade deve ser igualmente assegurada a todos pelo Estado, e na família não poderia ser diferente.


A família é o primeiro espaço de convivência do ser humano. Referência fundamental para qualquer criança, é na família que, independente de sua configuração, se aprende e incorpora valores éticos, e onde são vivenciadas experiências afectivas, representações, juízos e expectativas.

A família é importante na medida em que possibilita a cada membro constituir-se como sujeito autónomo. É o lugar indispensável para a garantia da sobrevivência e da protecção integral dos filhos e demais membros, independentemente do arranjo familiar ou da forma como vêm se estruturando. É a família que propicia os aportes afectivos e sobretudo materiais necessários ao desenvolvimento e bem-estar dos seus componentes. Ela desempenha um papel decisivo na educação formal e informal, é em seu espaço que são absorvidos os valores éticos e humanitários. É também em seu interior que se constroem as marcas entre as gerações e são observados valores culturais.

As crianças adquirem muitos dos padrões de comportamento de seus pais, como atitudes e valores, através dos processos de imitação e identificação. Esse processo ocorre sem que os pais ensinem, ou tentem influenciar a criança, e ainda sem que a criança tenha a intenção de aprender. É o que chamamos popularmente de exemplo.

Podemos então pensar em como se tem perdido esses valores a medida que sucumbimos às exigências da vida moderna onde o convívio familiar se torna cada vez escasso. Hoje o que vemos são famílias reproduzindo de geração em geração, feridas imensas no coração de seus membros.


A família é um bem para a sociedade, primeiro, porque é o centro onde nascem e crescem os futuros membros da sociedade. As crianças nascem numa família e, ao nascer, fazem parte da família. É no seio da família que recebem a educação a que têm direito. A família é o primeiro laço de transmissão da cultura. Este papel é insubstituível: o ser humano nasce e cresce no seio de uma família; constrói a sua identidade no seio de uma rede de laços de parentesco. Estamos convencidos (mesmo que esta evidência não seja fácil de demonstrar) que um mundo sem família, em que as crianças seriam geradas em máquinas, sem pais, para de seguida se juntarem, seria muito grave para a existência da humanidade.

A família é um bem para a sociedade porque oferece a base afectiva em que se constrói a personalidade. É preciso ser amado, encorajado, para adquirir a confiança suficiente para poder autorrealizar-se como pessoa, tornar-se pessoa activa e participativa na vida da sociedade. Quando nascemos, temos necessidade de afecto. É deste modo que adquirimos a força interior necessária para viver, para construir, para resistir às adversidades, ultrapassar obstáculos, realizar os projectos.

A família é um bem para a sociedade porque o laço familiar é a primeira experiência de laço social. Certamente, é preciso distinguir família e sociedade. Não se podem reduzir uma à outra. Relativamente a qualquer outro laço, o laço familiar é o primeiro, singular, inalienável e insubstituível. A sociedade não tem vocação para se tornar uma grande família, nem a família para se diluir na sociedade. No entanto, distinguir não significa opor. É na família que se faz a primeira aprendizagem da vida em sociedade.

A sociedade, por sua vez, apoia as famílias. Não será preciso alargar o fosso entre as relações sociais conflituosas (nomeadamente profissionais), onde a pessoa não é considerada por si mesma, e as relações familiares meramente afetivas. Por um lado, devemos trabalhar para que as relações sociais possam progredir no sentido da fraternidade, do reconhecimento mútuo das pessoas, do respeito pela sua dignidade. Por outro lado, devemos cuidar para que as nossas famílias estejam abertas ao outro e ao mundo, e que orientem os seus filhos em relação ao futuro.

A família é um bem para a sociedade por causa da solidariedade familiar. Sabemos qual o papel importante que tem a família em caso de problemas no trabalho, na saúde, ou ainda para vir ajudar os pais que têm actividade profissional, ou para apoiar as pessoas mais velhas (na sociedade portuguesa a geração dos "avós" muitas vezes, devido à crise económica, tem a seu cargo os filhos e os netos).

Por fim, a família é um bem para a sociedade porque é um bem para o ser humano. É o berço do homem, o lugar onde é amado por si mesmo, graciosamente, desinteressadamente, em que é reconhecido na sua singularidade e unicidade. É o domínio privilegiado da gratuidade e do dom, da aliança e da comunhão, que são os valores próprios da pessoa. Uma família onde estes valores se vivem, pelo menos se tentam viver, insere-se activamente na sociedade e contribui para a sua humanização, no sentido de orientar para a realização desejada por Deus: unir os homens, num só corpo.

É certo que nem sempre é assim. Não há famílias perfeitas. Não há educação que não apresente falhas nem que não deixe marcas. Um amor que una, sem lei que separe, pode gerar personalidades indefesas perante os desafios da existência; a maior intimidade pode ser ocasião para a maior violência. Mas não são estas falhas que destroem a ideia principal: a família é uma realidade humana original essencial tanto para o bem da pessoa como para o bem comum da sociedade.


Psicologia da Família é uma especialidade da psicologia que está focalizada nas emoções, pensamentos e comportamentos das pessoas em contexto familiar. A Psicologia da Família é uma especialidade fundada nos princípios da teoria sistémica, encarando a família como um sistema dinâmico, vivo e em constante desenvolvimento.

Já são muitos os contributos científicos para o entendimento da psicologia da família. Assim como são bastante alargadas as formas de intervenção neste grupo especial de pessoas. A psicologia da família é um mundo emocionante e complexo que muitas vezes escapa à racionalidade directa do comum mortal. É de facto necessário ter um entendimento intelectual e uma experiencia pessoal com a psicologia da família e para isso muito enriquece a vida e o conhecimento do terapeuta. Não existe uma forma correcta ou errada de entender a psicologia da família, existe sim a facilidade ou dificuldade em desbloquear enredos familiares.

Por princípio a psicologia da família fundamenta-se na premissa que a dinâmica da família desempenha um papel vital no funcionamento psicológico dos membros que a constituem. As consultas em psicologia da família levam em consideração a história da família nuclear e da família alargada, o ambiente actual, a forma de comunicação e o projecto comum.

Os terapeutas são psicólogos especializados em psicologia da família que mantêm o seu foco, entendimento e empatia na dinâmica familiar e traduzem as necessidades e dificuldades relacionais em questões práticas passiveis de serem resolvidas.

§  A psicologia da família está especialmente indicada para as situações de:
§  Problemas de comunicação
§  Problemas relacionados com os filhos
§  Sexualidade
§  Problemas relacionados com as prioridades familiares versus outras prioridades de algum membro da família
§  Problemas de gestão de relações entre as diferentes famílias, do origem e actual
§  Dificuldade na gestão dos conflitos depois da separação ou divórcio

A família é o primeiro grupo que o individuo pertence. É simplesmente uma duplicação da estrutura unitária e essa exerce uma profunda e decisiva importância na estrutura do psiquismo da criança, logo na formação da personalidade do adulto, sendo assim, as possibilidades de desenvolvimento físico e psíquico da criança dependem grande parte das condições emocionais que oferecem os pais, em especial a mãe por sua importância na estruturação do psiquismo infantil.

É necessário que, os pais auxiliem no desenvolvimento de uma consciência critica normal em seus filhos, bem como a família deve se esforçar para estar presente em todos os momentos da vida dessa criança, desse adolescente e adulto. Presença que implica envolvimento, comprometimento e colaboração. Deve estar atenta a dificuldades não só cognitivas, mas também comportamentais. Deve estar pronta para intervir da melhor maneira possível, visando sempre o bem de seus filhos, mesmo que isso signifique dizer sucessivos “nãos” às suas exigências.

Em outros termos, a família deve ser o espaço indispensável para garantir a sobrevivência e a protecção integral dos filhos e demais membros, independentemente do arranjo familiar ou da forma como se vêm estruturando.







De acordo com a investigação feita sobre o tema acima referido cheguei a concluir que ao longo dos tempos a família passou por muitas transformações, sejam sociais, politicas, económicas e culturais. Dentre todas as transformações, apresentou também uma evolução conceitual, histórica e legislativa, Contudo o que vemos são famílias formadas por pessoas desestruturadas, que acabam repassando tal desestrutura aos filhos, sendo na grande maioria pela falta de conhecimento do que realmente é uma família.

  








http://www.psiconlinews.com/2015/09/importancia-da-familia-no-desenvolvimento-do-individuo.html






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